O ex-policial militar do Mato Grosso do Sul, Sérgio Roberto de Carvalho, 62, o Major Carvalho, o maior narcotraficante procurado na Europa, comprou uma empresa aérea em Cascais, a 40 km de Lisboa, e fugiu com destino a Kiev, na Ucrânia, no próprio avião. Em Portugal, ele é conhecido como "Escobar brasileiro", em referência ao colombiano Pablo Escobar.
Segundo as investigações, antes de fugir, em novembro do ano
passado, ele deixou 11 milhões de euros (mais de R$ 73 milhões, na cotação
atual) escondidos em malas dentro de uma van na garagem de um prédio onde havia
alugado um apartamento, na avenida da Liberdade, em Lisboa, uma das mais
famosas da cidade.
"Escobar
brasileiro" vivia com identidade falsa em uma luxuosa mansão avaliada em
2,2 milhões de euros (quase R$ 15 milhões), em Marbella, região de Málaga, o
mais belo balneário da Andaluzia, na Espanha. E também tinha dois apartamentos
em Lisboa e uma empresa em Dubai, nos Emirados Árabes. Os bens foram bloqueados
judicialmente.
A Polícia Judiciária de Portugal investiga se os 578 kg de
cocaína apreendidos no Falcon 900 da empresa Táxi Aéreo Omni Aviação, no último
dia 9, no Aeroporto Internacional de Salvador, na Bahia, foram encomendados
pelo "Escobar brasileiro". A Operação Enterprise, deflagrada no fim
do ano passado pela Polícia Federal concluiu que o "Escobar
brasileiro" enviou 45 toneladas de cocaína do Brasil para a Europa, via
portos brasileiros. A quantidade da droga foi avaliada em R$ 2,25 bilhões.
Segundo as autoridades lusitanas, o "Escobar brasileiro" comprou a
Airjetsul, que também opera em Cascais, a partir do aeródromo de Tires, com uma
finalidade: usar os jatos da companhia no transporte.
João Loureiro embarcou no Falcon 900 com destino ao Brasil no dia 28 de janeiro deste ano. Além dele estavam na aeronave três tripulantes e o espanhol Mansur Mohamed Heredia. O carro desse último foi apreendido no aeródromo de Tires para ser periciado. O avião pousou em Salvador e seguiu para o aeroporto de Jundiaí (SP), mesma cidade onde a quadrilha de "Escobar brasileiro" usava um hangar para o transporte de drogas. Alguns dias depois, no início de fevereiro, no retorno a Salvador, o piloto detectou problemas no trem de pouso e comunicou a torre de controle. Mecânicos, policiais federais e civis de Salvador encontraram os 578 kg da droga escondidos na fuselagem da aeronave. UOL

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